Aula de Robótica e aula Maker são a mesma coisa?

Essa é uma pergunta comum de ouvir quando se introduz o conceito Maker, principalmente no contexto do ensino escolar. O ensino de robótica escolar engloba a parte da ciência aplicada à automação de partes mecânicas em geral e à programação. Esse ensino é muito útil e bastante interessante do ponto de vista educacional. Em geral são utilizados kits comerciais desenvolvidos especificamente para robótica.

Estes kits permitem a montagem rápida e prática de robôs manipuladores de objetos, sistemas de movimentação e até pequenas linhas de produção. Além disso, contém interfaces de programação visuais que tornam a programação fácil e intuitiva. Do ponto de vista eletrônico e mecânico, as conexões são projetadas para permitir ao aluno que não “perca tempo” com a parte manual da atividade, podendo focar os esforços na programação em si de seu robô. O direcionamento principal é a habilidade do raciocínio lógico, programação e solução do desafio proposto.

Dois robôs disputando uma partida de futebol.
Programando robô para futebol
Sede educacional da Umaker (2019)

O ensino Maker por outro lado, foca no desenvolvimento das habilidades para trabalhar a partir de materiais brutos criando novos objetos e soluções. Essas soluções englobam desde a manipulação mecânica da criação, escolhendo o tipo de roda, como fazer o eixo e ligar tudo ao motor até a parte eletrônica e de programação. A eletrônica pode ser trabalhada com kits bem como a programação, isso fica a critério de cada vertente de ensino. Assim o aluno maker aprende a criar a coisa do zero no nível do protótipo em vez de partir de módulos já prontos. Isso faz o projeto levar mais tempo que um projeto na robótica e algumas vezes não sair tão bonito. Mas o foco é diferente, é permitir ao aprendiz dominar todo o processo de criação.

A vantagem de se criar algo do zero está em aprender a lidar com as vitórias e derrotas ao longo de todo o processo criativo. Criar uma roda que no momento de funcionar solta, faz com que uma criança tenha que lidar com a frustração, aceitar a responsabilidade do erro, buscar uma solução, planejar e implementar. Ou seja, o aluno maker aprende a tomar para si a responsabilidade e ser criativo na solução de cada um dos problemas que ocorrem em seu projeto. Ao programar isso também ocorre, habilidade também desenvolvida na robótica. Mas a possibilidade de usar literalmente qualquer material disponível, desde um elástico de cabelo até um chiclete, põe o aluno numa situação bem mais MacGyver onde tudo ao seu redor deve ser analisado em busca da solução. Outro ponto interessante é que a atividade Maker permite ao professor desenvolver conceitos de ciências, artes, engenharias entre outros. Essas áreas abordadas de forma integradas na educação são o ensino STEAM, que já abordamos nesse texto aqui.

Mão de papelão com acionamento eletrônico sendo montada por aluna.
Montagem de mão robótica
Feira de Ciências do Colégio São Francisco de Assis – Umaker (2018)
Colégio São Francisco de Assis – http://www.colegiosaofranciscodeassis.com/home.html

O ensino Maker ainda vê a parte tecnológica por meio de programação e integração com  elementos eletrônicos em seus projetos. Isso é o que diferencia este ensino do trabalho de marcenaria, bricolagem ou artesanato. Unir recursos de artesanato, com motores elétricos, botões e sistemas hidráulicos faz com que o aluno tenha que juntar conceitos de diferentes áreas e lide com cada passo de forma racional e planejada.

Assim, a diferença entre o ensino Maker e o ensino de Robótica está mais na etapa conceitual que tecnológica em si. Ambos abordam programação, ambos abordam eletrônica. Mas a aula maker foca em todo o processo de criação da solução, usando parte do tempo para ensinar a criação de protótipos enquanto a robótica foca toda a energia na programação e na parte eletrônica do desenvolvimento do projeto por parte dos alunos.

1 comentário


  1. Quero saber o valor do curso de impressora 3D.

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